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Seminário discute segurança contra ataques terroristas e gerenciamento de crise em São Paulo

Publicado dia 15/10/2018 às 22h42min
O seminário contou com profissionais extremamente capacitados, das mais diversas áreas de atuação, que contribuíram para o sucesso e prestigio do evento, mostrando que o Estado de São Paulo está preparado para enfrentar situações de crise.

O Governo do Canadá por meio do Consulado Geral do Canadá em São Paulo realizou no mês de setembro (20), o Seminário de Segurança e Gestão de Emergências, - Examinando Ameaças e Resposta a Emergências no Estado de São Paulo, o evento aconteceu na CCBC (Câmara de Comércio Brasil Canadá), localizado na Rua do Rócio, 220 na Vila Olímpia em São Paulo, tendo como tema principal, ataque terrorista de qualquer espécie e a capacidade de pronta resposta, abaixo a lista de palestras e seus respectivos palestrantes:

  • Pronto-Atendimento Humanitário em Situações de Emergência – Palestrante José Castro
  • Atividades de Controle de Multidões – Palestrante Ronaldo Madio Pereira
  • MATAC – Capacidade de Resposta Contraterrorista Frente a Múltiplos Ataques – Palestrante Paulo Augusto Aguilar
  • Cannabis Legalization in Canada – Alexandre Almeida
  • Atuação da CETESB nas Emergências Químicas – Palestrante Jorge Luiz Nobrega Gouveia
  • Respostas Médicas – Palestrante Jorge Ribeira
  • Governança e Crime Organizado – Desafios para a Cooperação Interinstitucional – Fábio Bechara
  • Primeiro Comando da Capital – PCC – Lincoln Gakiya

 

A extensão da segurança e gestão de emergências, tanto no setor público como no privado não pode ser negadas. O mundo é um lugar incerto e tornou-se cada vez mais importante entender tanto o ambiente de ameaças quanto a gama de opções de respostas disponíveis no caso de um incidente.

Mais do que nunca, a colaboração pública e privada é vital para a segurança e proteção dos cidadãos e para assegurar a continuidade das operações comerciais. O Seminário visa fornecer um local para compartilhamento de informações e contatos para especialistas em segurança e gestão de emergências em São Paulo e no Brasil.
O seminário contou com  profissionais extremamente capacitados, das mais diversas áreas de atuação, que contribuiram para o sucesso e prestigio do evento, mostrando que o Estado de São Paulo está preparado para enfrentar situações de crise.

 

Ações terroristas

Desde os ataques terroristas em Mumbai (26/11/08) aos mais recentes, os ataques na França no Charlie Hebdo (7/01/15) e em Paris (13/11/15), a comunidade policial em todo o mundo tem discutido como responder adequadamente a esses múltiplos ataques coordenados ou ameaças híbridas, um cenário de crises complexas combinando atiradores ativos, suicidas bomba, artefatos explosivos, etc.

O Grupo Terrorista Estado islâmico (EI) é exemplo de sofisticação no planejamento e na execução de ações - ataques múltiplos e coordenados, mas simplicidade no uso dos meios: fuzis de assalto, explosivos, facas, carros, etc...

Na doutrina moderna, dois jihadistas intelectuais, Anwar al-Awlaki e Abu Musab al-Suri exercem forte influência em novas estratégias e táticas, que foram utilizadas nesses últimos atentados e que continuarão sendo utilizadas em futuros outros, como o uso de lobos solitários, de pequenas células autônomas e descentralizadas, de múltiplos atentados e de ataques a soft targets, ou alvos desprotegidos, com menor vigilância.

Os ataques terroristas da Al-Qaeda foram caracterizados pela sofisticação, por grupos de terroristas que planejavam, viajavam, treinavam e realizam juntos os seus atentados, ocorre que essa sistemática mudou a partir de 2005 devido ao aumento da fiscalização e da repressão dos países ocidentais contra o terrorismo e às novas recomendações desses doutrinadores jihadistas.

O Estado Islâmico (EI) apesar de ser um grupo terrorista altamente sofisticado e complexo, soube flexibilizar e adaptar seus métodos, encontrando sucesso e eficácia na simplicidade de seus ataques direcionado-os para os soft targets por meio de lobos solitários ou pequenas células autônomas ao estilo Mumbai / Paris.

Todos ouviram falar sobre o Massacre de Columbine, que ocorreu em 20/04/99, na Columbine High School, cidade de Litleton, nos EUA. Dois estudantes atuaram como atiradores ativos, dispararam suas armas, utilizaram dezenas de artefatos explosivos improvisados (IED), resultando na morte de doze alunos e um professor, o lamentável episódio terminou com o suicídio dos atiradores.

A Agência Federal de Gestão de Emergências (Federal Emergency Management Agency – FEMA) define atirador ativo como: "Um atirador ativo é um indivíduo ativamente empenhado em matar ou tentar matar pessoas em uma área povoada ou confinada...".  

O Massacre de Columbine impactou o sistema de gerenciamento de crises dos EUA, que tradicionalmente era conhecido como sistema estático de gerenciamento de crises, porque previa conter, isolar e negociar. Após o evento, passaram a existir dois sistemas, o estático e o dinâmico.

O sistema estático se aplica para situações confinadas, estáticas, em decorrência da ação de contenção da crise, como nas ocorrências de marginais embarricados e de tomada de reféns.

Em situações de atirador ativo, o criminoso movimenta-se por corredores, por ruas, por lugares, à procura de vítimas, a cada minuto que se passa vidas são perdidas, portanto a intervenção deve ser imediata, ou seja, é um evento móvel, que está em evolução, on-going (em curso), que denota dinamismo, no sentido de se ir de encontro ao agressor de forma imediata, a fim de parar sua ação homicida em curso.

Como resposta adequada ao sistema dinâmico, após Columbine utilizaram a implantação de procedimentos conhecidos pelo acrônimo IARD - Immediate Action Rapid Deployment(Imediata Ação / Rápido Emprego), justamente por isso, sistema dinâmico de gerenciamento de crises.
No Brasil as organizações criminosas se utilizam de técnicas terroristas protagonizando ataques múltiplos, coordenados ou simultâneos, como os que ocorreram em São Paulo em 2006, como os crimes praticados ao estilo Novo Cangaço e como os roubos a sedes de empresas de transporte de valores, a exemplo do havido no Paraguai, em 24/04/2017. 

Conforme já informamos, a forma de operação dos ataques estilo Mumbai / Paris foram de ataques múltiplos, coordenados, com ameaças híbridas, envolvendo atiradores ativos, granadas, uso de IEDs e tomadas de reféns, essa capacidade de resposta contraterrorista a múltiplas ameaças passou a ser chamada pelas iniciais de MACTAC (Multi-Assalut Counter-Terrorist Action Capabilities), traduzindo-se para o português como "Capacidade de Resposta Contraterrorista Frente a Múltiplos Ataques", método criado pelo Departamento de Polícia de Los Angeles.

Durante o evento o palestrante Paulo Augusto Aguilar discorreu sobre o importante assunto MACTAC - Capacidade de Resposta Contraterrorista Frente a Múltiplos Ataques, segue abaixo um resumo do seu trabalho apresentado no seminário.

O conceito de MACTAC é o de fornecer os meios para permitir que os policiais, usando táticas de pequenas unidades de infantaria, possam se reunir de forma espontânea e eficaz, a fim de confrontar várias ameaças tão rapidamente quanto possível, compelindo imediatamente as ações dos criminosos.
Esse conceito é muito mais amplo do que o conceito de atirador ativo, uma vez que este relaciona-se, em regra, com ataques em áreas edificadas, na maioria dos casos empregam armas de fogo, quase sempre não há um padrão ou método para a seleção de vitimas. Por outro lado, ataques de MACTAC utilizam técnicas paramilitares em áreas abertas, múltiplos atiradores ativos, seleção de vítimas orientada pela agenda dos grupos terroristas.
MACTAC é uma expansão das técnicas utilizadas para atiradores ativos, sua resposta se constrói a partir desta, conforme a gravidade apresentada pela crise, em um verdadeiro efeito lego.

Conclui-se que estrategicamente a MACTAC visa salvar vidas respondendo à primeira crise policial, sem provocar excesso de alocação de recurso, o que poderia ocasionar em falta de recursos para o atendimento de uma segunda demanda.

Taticamente a MACTAC objetiva estabelecer contato com os atiradores o mais rápido possível, a fim de fazer cessar a ação homicida de imediato e negar capacidade de movimento para os terroristas evitando que fujam e que tenham acesso a novas vítimas.

Texto retirado do trabalho do Capitão PMESP Paulo Augusto Aguilar- MATAC Multi-Assalut Counter-Terrorist Action Capabilities, traduzindo-se para o português como "Capacidade de Resposta Contraterrorista Frente a Múltiplos Ataques"

 

Sobre o autor

O Autor é Paulo Augusto Aguilar, Capitão da PMESP atualmente no Comando de Policiamento de Choque.

Possui entre outros cursos:

Ações Táticas Espaciais no Grupo de Ações Táticas Especiais - GATE/SP

Análise do Terrorismo na Agência Brasileira de Inteligência – ABIN

Combating Domestic and Transnational Terrorism no Office of Antiterrirism Assistance do U.S. Department of State

Membro da International Association of Bomb Technicians and Investigators – IABTI

Fonte: Paulo Pedro MTB 86507-SP

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