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BRASIL

Sem soro no país, serpente corre risco de ser sacrificada no DF

Publicado dia 16/07/2020 às 19h55min
O veneno se assemelha ao da jararaca brasileira

Após o estudante de medicina veterinária Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkul, de 22 anos, ser picado por uma cobra naja, duas serpentes que também eram criadas ilegalmente foram devolvidas de forma voluntária para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Uma delas, da espécie Trimeresurus vogeli, conhecida como víbora-verde-de-voge, corre o risco de ser sacrificada. Segundo o Zoológico de Brasília, não não há antídoto para o veneno dela no Brasil.

 
O animal, que é encontrado na Ásia, está no serpentário do Zoológico de Brasília e passa por um período de quarentena. O biólogo e diretor de répteis e anfíbios do Zoológico de Brasília, Carlos Eduardo Nóbrega, explica que o veneno da serpente é hemotóxico, ou seja, causa necrose na área que foi picada.
 
"Os sintomas após a picada se assemelham com o veneno da jararaca. Essa cobra, quando fêmea, chega a medir 1 metro e 20 cm. Já o macho, 40 cm. O veneno é bem letal e pode matar", explica. A serpente está dentro de uma caixa para evitar acidentes com os funcionários ou com o próprio animal. 
 
Por telefone, o Instituto Butantan, localizado em São Paulo, informou ao UOL que não cria a espécie no local. Portanto, não possui o soro antiofídico. A unidade disponibilizou a única dose contra o veneno da naja para Lehmkul, que foi picado na última terça-feira (7). 
 
Criador não será punido 
 
Como a entrega das serpentes foi espontânea, o responsável, que não teve a identidade divulgada, não será divulgada, não será punido - o que é amparado pela legislação. Além da víbora-verde-de-voge, o criador também devolveu uma Jararacuçu, a segunda maior serpente do Brasil - chegando a 2 metros e 20 centímetros.
 
O Ibama tenta importar o soro que combate o veneno da víbora-verde-de-voge. Caso não consiga, o animal deve ser sacrificado. "Em relação à possibilidade de eutanasiar a víbora-verde-de-Vogel, a Fundação Jardim Zoológico de Brasília informa que essa é uma decisão exclusivamente do Ibama e, ao Zoo de Brasília, cabe somente acolher esses animais enquanto não há uma destinação final. Do mesmo jeito que a transferência dos animais para outra instituição ou a decisão de fazer parte do plantel do Zoológico de Brasília também são possibilidades de destinação do Ibama para as serpentes", disse o Zoológico por nota.
 
O Zoológico de Brasília ressalta ainda a importância de que, quem cria animal silvestre ilegalmente, faça a entrega voluntária desses indivíduos sem a penalização legal. A soltura independente de animais silvestres, sobretudo os exóticos, em áreas da fauna local podem acarretar em um grande desequilíbrio ecológico, além de acidentes graves.
 
Quem mantém animais silvestres ou exóticos de forma irregular pode fazer a entrega voluntária ao Ibama em todas as unidades do país. A população também pode denunciar suspeitas de criação através da Linha verde, no telefone 0800-618080.
 
Para manter cobras em residência, o interessado deve solicitar autorização junto ao órgão ambiental do estado no caso de espécies não venenosas. Cobras peçonhentas podem ser criadas apenas com fins comerciais, por instituições farmacêuticas, ou com intuito de conservação, quando o animal não pode voltar à natureza por diversos motivos, como ter sido vítima de maus-tratos.
 
Apreensões
 
Nesta semana, outras 17 cobras foram encaminhadas por agentes do Ibama ao Zoológico de Brasília. Um dos casos é o da naja de monóculo, que picou um estudante - que está hospitalizado devido aos efeitos do veneno, um dos mais fortes do mundo.
 
A naja, apreendida na quarta-feira (8), não tem registro no Brasil e tem origem na Ásia e na África. O Ibama lavrou uma multa de R$ 2.000 em nome do estudante por se tratar de animal que teve entrada não autorizada no país.
 
Já as outras 16 serpentes foram localizadas na quinta-feira (9) em um núcleo rural, também no DF. Entre as espécies, king snake, jiboia, cobra-papagaio, cobra-rateira e cascavel - que estavam com lesões nas escamas, magras e com sinais de desidratação, fatores que levam a acreditar que teriam sofrido maus-tratos. O Ibama e a PCDF apuram o caso.
Fonte: Jéssica Nascimento para Uol Brasília

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